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QUANDO A IGREJA SE CALA DIANTE DE APOSTAS E JOGOS

Por que algumas igrejas discutem intensamente questões políticas e sociais, mas evitam ensinar seus membros sobre cobiça, contentamento, administração do dinheiro e os perigos da dependência dos jogos?

Eu observo com preocupação uma realidade que vem ganhando espaço em nossa sociedade: os jogos de sorte e azar deixaram de ser vistos apenas como uma diversão ocasional e passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas. A promessa parece simples: arriscar pouco para ganhar muito. Mas, por trás dessa aparência de entretenimento, existe uma mentalidade que pode transformar o dinheiro em objeto de cobiça e o acaso em esperança de vida melhor.

O que mais me preocupa, entretanto, não é apenas o crescimento dos jogos. É perceber como nós, evangélicos, muitas vezes permanecemos silenciosos diante desse assunto.

Eu creio que a igreja precisa voltar a falar sobre aquilo que afeta diretamente a vida espiritual, moral e familiar das pessoas. O púlpito não existe apenas para transmitir mensagens agradáveis. Ele existe para proclamar toda a Palavra de Deus, inclusive quando ela confronta hábitos populares.

A Bíblia não apresenta uma passagem que diga simplesmente: “Não jogue na loteria” ou “Não participe de apostas”. Por isso, eu não devo fabricar uma proibição bíblica que o texto sagrado não apresenta. Mas a Escritura oferece princípios suficientemente claros para que eu examine a prática com seriedade.

Jesus ensina: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.” - Mateus 6:24, NVT

Quando o desejo de ganhar dinheiro começa a dominar minha mente, minha relação com os recursos financeiros deixa de ser saudável. O problema não está somente na possibilidade de perder dinheiro, mas na transformação do dinheiro em objeto de expectativa, fascinação e cobiça.

Eu preciso perguntar honestamente: o que está governando meu coração?

Se começo a acreditar que minha solução financeira depende de um prêmio, de um sorteio ou de uma aposta, corro o risco de substituir a confiança em Deus pela esperança no acaso.

A Bíblia também adverte:

“Quem ama o dinheiro nunca terá o suficiente. Quem ama a riqueza nunca ficará satisfeito com o que ganha. Isso também não faz sentido.”
Eclesiastes 5:10, NVT

Esse princípio me leva a enxergar além do bilhete, do aplicativo ou da aposta. O verdadeiro problema pode estar no coração que nunca se satisfaz.

E aqui encontro uma responsabilidade que considero intransferível: a igreja precisa ensinar sobre isso, falando aberta e diretamente.

Não considero suficiente falar sobre jogos apenas quando algum escândalo aparece na televisão ou quando uma família chega ao pastor completamente endividada. Precisamos abordar o assunto preventivamente, nos cultos, nas células e pequenos grupos/classes de ensino, nas reuniões de jovens e nos aconselhamentos.

Eu me pergunto: por que conseguimos falar durante horas sobre determinados assuntos secundários, mas temos receio de tratar de práticas que estão destruindo financeiramente famílias?

Por que algumas igrejas discutem intensamente questões políticas, culturais e sociais, mas evitam ensinar seus membros sobre cobiça, contentamento, administração do dinheiro e os perigos da dependência dos jogos?

Precisamos recuperar a coragem pastoral.