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APOSTAS ESTÃO DESTRUINDO FAMÍLIAS

Não considero suficiente falar sobre jogos apenas quando algum escândalo aparece na televisão ou quando uma família chega ao pastor completamente endividada. Precisamos abordar o assunto preventivamente, nos cultos, nas células e pequenos grupos/classes de ensino, nas reuniões de jovens e nos aconselhamentos.

Eu me pergunto: por que conseguimos falar durante horas sobre determinados assuntos secundários, mas temos receio de tratar de práticas que estão destruindo financeiramente famílias?

 Não considero suficiente falar sobre jogos apenas quando algum escândalo aparece na televisão ou quando uma família chega ao pastor completamente endividada. Precisamos abordar o assunto preventivamente, nos cultos, nas células e pequenos grupos/classes de ensino, nas reuniões de jovens e nos aconselhamentos.

Eu me pergunto: por que conseguimos falar durante horas sobre determinados assuntos secundários, mas temos receio de tratar de práticas que estão destruindo financeiramente famílias?

Não estou defendendo uma igreja que simplesmente grita “é pecado!” sem explicar nada. Estou defendendo uma igreja que abre a Bíblia, ensina seus princípios e ajuda as pessoas a compreenderem as consequências de suas escolhas.

Eu preciso ensinar aos jovens que dinheiro fácil quase sempre vem acompanhado de ilusões perigosas. Preciso ensinar aos adultos que dificuldade financeira não se resolve necessariamente com uma aposta. Preciso orientar famílias a administrar seus recursos com responsabilidade. E preciso dizer àquele que já está preso ao jogo que existe esperança, mas também existe a necessidade de reconhecer o problema e buscar ajuda.

Também não considero correto transformar esse tema em instrumento de condenação dos que lutam contra esse hábito. A igreja deve confrontar o pecado, mas deve igualmente oferecer restauração ao pecador.

Quando uma pessoa perde o controle e passa a comprometer salário, economias, relacionamentos e responsabilidades para continuar jogando, eu não posso simplesmente dizer: “Tenha mais fé”. Preciso acolher, orientar e, quando necessário, incentivar a busca de ajuda profissional. Espiritualidade não é desculpa para negligência.

Minha preocupação aumenta quando percebo que a cultura do jogo alcança crianças e adolescentes por meio do ambiente digital. A facilidade de acesso torna ainda mais importante que pais e igrejas conversem sobre o assunto. Não podemos esperar que nossos filhos aprendam discernimento financeiro somente depois de cometerem erros graves.

A igreja precisa ensinar uma geração a trabalhar, administrar, poupar, repartir e confiar em Deus — e não a esperar que a sorte resolva aquilo que exige responsabilidade.

Eu também preciso reconhecer que o silêncio da igreja pode ser interpretado como aprovação. Quando um comportamento se espalha e o púlpito permanece calado, muitos concluem que não existe problema.

Por isso, considero urgente uma posição firme, clara e objetiva.

Não precisamos transformar o culto em palanque contra este ou aquele segmento da sociedade. Não precisamos fazer discursos partidários. Precisamos fazer algo muito mais importante: abrir a Bíblia e aplicar seus princípios à vida real.

Se os jogos de sorte e azar estão entrando nas casas, precisamos falar sobre eles.

Se estão comprometendo salários, precisamos falar sobre eles.

Se estão produzindo endividamento, conflitos conjugais, ocultação de gastos e sofrimento familiar, precisamos falar sobre eles.

Se estão seduzindo nossos jovens, precisamos falar sobre eles.

E se a igreja está percebendo tudo isso, mas prefere permanecer em silêncio para não desagradar ninguém, então precisamos perguntar se estamos realmente cumprindo nossa missão.

Eu não quero uma igreja que acompanhe passivamente os costumes de seu tempo. Quero uma igreja que saiba discernir e entender o seu tempo à luz das Escrituras.

Meu compromisso não é com a popularidade de uma mensagem, mas com sua fidelidade à Palavra de Deus.

O mundo pode chamar o jogo de entretenimento. Eu, como cristão, preciso perguntar o que ele está produzindo no coração, na família e na vida espiritual.

E quando a resposta revelar cobiça, escravidão, irresponsabilidade ou destruição, a igreja não pode se calar.

O púlpito precisa voltar a falar. Com amor, mas sem omissão. Com graça, mas sem relativismo. Com firmeza, mas sem arrogância.

Porque onde existe um pecado sendo normalizado, a igreja não é chamada a acompanhar o silêncio da sociedade. É chamada a proclamar a verdade que conduz à liberdade.