A proteção de crianças e adolescentes deveria ser um ponto de união da sociedade. No entanto, até mesmo essa causa fundamental tem se transformado em campo de disputa política e moral. Casos de violência, abusos, insegurança digital e ameaças à integridade da infância têm mobilizado intensamente perfis evangélicos das mais variadas correntes políticas.
Existe, sem dúvida, uma
convergência importante: crianças e adolescentes precisam ser protegidos. Mas
os caminhos propostos frequentemente se opõem. Em setores identificados com a
esquerda, predominam as cobranças por políticas públicas, direitos sociais e
maior atuação do Estado. Em setores associados à direita, ganham destaque a
segurança pública, o endurecimento das leis e a punição dos criminosos. A
discussão, porém, não pode terminar em uma disputa entre lados.
A Bíblia nos chama
a olhar para a criança não como instrumento de debate ideológico, mas como
alguém precioso diante de Deus. Jesus declarou:
“Deixem as
crianças vir a mim. Não as impeçam, pois o reino dos céus pertence aos que são
como elas.”
Mateus 19:14, NVT
Essa palavra revela o
valor que Cristo atribui aos pequenos. Impedir uma criança de viver com
segurança, dignidade, educação, proteção e esperança é uma questão que deve
inquietar profundamente a consciência cristã. A igreja não pode assistir
silenciosamente à destruição da infância, seja pela violência física, pelo
abuso, pelo abandono ou pelos perigos que hoje também habitam o mundo digital.
A Palavra de Deus
também afirma:
“Defendam os
direitos dos pobres e dos órfãos; façam justiça aos aflitos e necessitados.”
Salmo 82:3, NVT
A aplicação é clara:
defender os vulneráveis faz parte da responsabilidade moral do povo de Deus.
Isso exige que a sociedade tenha mecanismos eficientes de proteção, que os
criminosos respondam por seus atos e que as famílias recebam condições para
cuidar adequadamente de seus filhos. Justiça, proteção e responsabilidade não
deveriam ser inimigas.
Entretanto, a
contribuição da igreja precisa ir ainda mais longe. Nenhuma lei, por mais
necessária que seja, consegue por si mesma transformar completamente o coração
humano. A violência, a perversidade e o desprezo pela vida revelam também a
profundidade do pecado.
Por isso, o Evangelho
continua sendo indispensável. Paulo escreveu:
“Portanto, se
alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas passaram; eis que
surgiram coisas novas!”
2 Coríntios 5:17, NVT
A transformação promovida
por Cristo alcança o indivíduo e produz consequências na sociedade. O Evangelho
pode restaurar o agressor arrependido, fortalecer a família, despertar
responsabilidade nos pais, formar consciência moral nos jovens e levantar homens
e mulheres comprometidos com a defesa dos mais frágeis.
Espera-se, portanto, uma
manifestação clara, firme e decisiva das igrejas. Não uma igreja refém da
esquerda ou da direita, mas uma igreja fiel ao Senhor Jesus Cristo. Não
uma comunidade indiferente às questões sociais, mas também não uma instituição
que imagine ser possível resolver todos os dramas humanos apenas por meio da
política.
A proteção da infância
exige leis justas, segurança eficiente, educação, responsabilidade familiar,
prevenção e políticas públicas. Mas exige, acima de tudo, corações
transformados.
A igreja possui uma
mensagem que nenhum partido pode substituir:
O poder
inigualável do Evangelho para transformar vidas, restaurar famílias, promover a
dignidade humana e dar novo significado à existência.
Quando a infância está ameaçada, a igreja não
pode se calar. Crianças não são bandeiras ideológicas. São vidas. E vidas são
preciosas aos olhos de Deus.