Ocupados, sim. Mas, estamos vivos ou vegetando? Vivemos numa época em que estar ocupado parece ser uma prova de que estamos vivos, somos úteis e temos alguma importância. A frase “Quanto mais ocupados estamos, mais agudamente sentimos que estamos vivos”, atribuída em paráfrase ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, do século XVIII, chama a atenção para uma realidade do nosso tempo: quando temos objetivos, projetos e tarefas a cumprir, parece que a vida ganha mais sentido.
Quanto mais ocupado, mais sinto que estou vivo.
De
fato, ocupar a mente e empregar o tempo em atividades proveitosas pode trazer
satisfação, estimular a criatividade e fortalecer nosso senso de
responsabilidade. Quando sabemos aonde queremos chegar, o dia deixa de ser
apenas uma sucessão de horas e passa a representar oportunidades de realizar
algo significativo. Entretanto, como cristãos, precisamos fazer uma pergunta: estamos
ocupando o nosso tempo com aquilo que realmente importa?
Nem
toda ocupação significa produtividade, assim como nem toda agenda cheia
representa uma vida bem vivida. Podemos passar os dias correndo de um
compromisso para outro, trabalhando sem descanso, acumulando tarefas e
perseguindo metas, mas permanecer vazios espiritualmente. Há pessoas tão
absorvidas pelos afazeres que já não encontram tempo para a família, para a
oração, para a leitura da Palavra de Deus e para ouvir a voz do Senhor.
Jesus
nos ensina, em Mateus 6:33 (NVT): “Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus
e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas.” Essa orientação não
condena o trabalho nem a dedicação aos nossos projetos. Pelo contrário, coloca
cada coisa em seu devido lugar. Deus não precisa ser apenas mais um compromisso
em nossa agenda; Ele deve ocupar o centro de nossa existência, orientando
nossas escolhas e prioridades.
Também
precisamos compreender que descansar não significa desperdiçar a vida. Em
Marcos 6:31 (NVT), Jesus convida seus discípulos: “Venham comigo para um lugar
deserto e descansem um pouco”. O próprio Senhor reconhece a necessidade de
interromper as atividades. O descanso adequado renova nossas forças e nos ajuda
a perceber que nosso valor não depende exclusivamente daquilo que produzimos.
Por
outro lado, o tempo não deve ser desperdiçado com distrações intermináveis,
preocupações inúteis ou atividades que não edificam. Paulo recomenda em Efésios
5:15-16 (NVT) que vivamos com cuidado, aproveitando bem cada oportunidade. Isso
significa administrar os dias com sabedoria, sem transformar a ocupação em uma
obsessão ou a produtividade em um ídolo.
Estar vivo é muito
mais do que estar ocupado.
Estar
vivo é trabalhar com responsabilidade, amar com sinceridade, servir ao próximo,
cuidar da família e cultivar uma comunhão verdadeira com Deus.
A
questão, portanto, não é simplesmente quantas tarefas conseguimos realizar, mas
que tipo de pessoas estamos nos tornando enquanto realizamos essas tarefas.
Afinal, podemos terminar um dia exaustos por tantas atividades e, ainda assim,
deixar de fazer aquilo que dá sentido à vida.
Que
Deus nos conceda sabedoria para ocupar bem o nosso tempo. Que junto com a sabedoria venha o discernimento para
reconhecer nossas prioridades e humildade para compreender que uma vida plena
não é medida pelo tamanho da agenda, mas pela fidelidade com que vivemos diante
do nosso Deus e Senhor.

