No grande dia do acerto de contas, Deus não vai cobrar se votamos nesse ou naquele candidato, mas, sim, se fomos fiéis a Cristo e o que fizemos com os talentos, competências e oportunidades que nos deu.
É curioso como, em épocas eleitorais,
o tema “valores cristãos” sempre aparece com destaque para a necessidade de
defendê-los na política. Sim, os valores cristãos devem ser defendidos o tempo
todo. Mas, antes, é preciso esclarecer: na política, essa defesa de valores
exige clareza, definição e comprometimento na prática. Não resolve decorar
a Bíblia e não viver como ela ensina.
1º) Que tipo de valores cristãos estão em jogo? No geral, os candidatos se declaram a favor de alguns desses
valores e não de outros.
2º) Que tipos de valores cristãos necessitam de iniciativa
política, ou ação legislativa do Senado Federal ou da Câmara dos Deputados,
para serem transformados em lei?
3º) Quais valores cristãos devem ficar por conta exclusiva de
iniciativa da sociedade civil, sem que sejam impostos a todos, para que não
haja afronta aos limites constitucionais?
É urgente defendermos os valores cristãos na política!
Porém, eu não posso impor a outros os
princípios aos quais, por liberdade de consciência, eu adotei para minha vida
pessoal. Por exemplo, o princípio da moralidade. O significado, o conceito e a
extensão que a moralidade bíblica possui devem ser intensamente vivenciados, na
prática, jamais impostos.
Paulo nos oferece um princípio
importante para essa reflexão em Romanos 14:5
(NVT): “Cada um
deve estar plenamente convicto em sua própria mente.” A fé cristã precisa
produzir convicções verdadeiras e uma vida coerente, mas isso não significa
transformar toda convicção pessoal em instrumento de imposição sobre a
consciência alheia.
Uma sociedade amoral é imoral. Mas
cada um pagará o preço de suas escolhas. Entretanto, nem tudo o que seguimos na
vida pessoal e recomendamos no púlpito pode ser objeto de proposta política.
Porque existem efeitos negativos indesejados em propostas legislativas, que
anulam os resultados pretendidos. Se vivemos numa sociedade onde a moral é
relativa, então, se for obrigatória, deixa de ser uma qualidade, já não é
virtude.
A Bíblia também nos lembra, em Miqueias 6:8 (NVT), que Deus requer de nós que pratiquemos a
justiça, amemos a misericórdia e andemos humildemente com Ele. Esses
princípios devem estar presentes na vida cristã e também orientar nossa
responsabilidade diante da sociedade. Defender valores cristãos não é apenas
falar sobre eles; é vivê-los com coerência, verdade e responsabilidade.
Não
se deixe enganar pela falsa devoção
O discurso dos “valores cristãos”, com
o nefasto consentimento de pastores e líderes, serve para engajar o voto
evangélico a favor de certas candidaturas. Muito candidato sem propostas,
ficha-suja, encontra guarida em igrejas grandes e pequenas, atuando em conluio,
fazendo discursos travestidos de defesa dos “valores cristãos”.
Falta ética, falta moral e falta temor
a Deus.
Por isso, precisamos de discernimento.
Jesus nos advertiu em Mateus 7:16
(NVT): “É
possível identificar as pessoas por suas ações.” Não basta alguém falar em
nome de Deus, defender determinados valores ou apresentar-se como defensor da
fé cristã. É necessário observar seus frutos, sua conduta, sua história e a
coerência entre aquilo que diz e aquilo que pratica.
O nome de Cristo não pode ser usado
como instrumento de manipulação eleitoral. A fé cristã não pode ser reduzida a
uma estratégia para conquistar votos. E a igreja não pode entregar sua
consciência a candidatos simplesmente porque utilizam uma linguagem religiosa.
Os valores cristãos devem, sim, ser
defendidos. Mas precisam ser defendidos com verdade, discernimento, coerência e
temor a Deus.
No grande dia do acêrto de contas,
nossa fidelidade será medida diante do Senhor, e não diante dos partidos, dos
candidatos ou das disputas eleitorais.