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ESTÁ TUDO BEM?

2ºReis 4.26 - ...Vai tudo bem com você?

Existem perguntas que incomodam justamente porque não queremos respondê-las. Uma delas é: como está a minha vida com Deus? Outra pergunta incômoda pode ser esta: como está, de fato, a igreja de Cristo? Temos templos, cultos, programas, projetos, eventos, redes sociais e muitas atividades. Mas será que, por trás de tudo isso, ainda existe o mesmo ardor por Cristo, pela Palavra, pela santidade, pela oração e pela salvação dos perdidos?

Não devemos afirmar que todas as igrejas estejam vivendo uma crise espiritual. Há comunidades fiéis, servos sinceros e crentes que continuam amando profundamente o Senhor. Mas também seria perigoso fechar os olhos para uma realidade que precisa ser enfrentada: em muitos lugares, o mundanismo entrou pela porta da frente, enquanto a devoção a Cristo foi sendo empurrada para os fundos.

Jesus advertiu uma igreja que conservava sua estrutura religiosa, mas havia perdido algo essencial:

“Tenho, porém, contra você uma coisa: você abandonou o amor que tinha no princípio! Veja como você caiu! Volte-se para mim e pratique as obras que fazia no princípio.”
— Apocalipse 2:4-5, NVT

Observe: Jesus não estava falando a pessoas que haviam deixado de frequentar a igreja. Ele estava falando a uma igreja ativa. Havia obras, perseverança e resistência ao erro. Mas havia um problema no coração: o primeiro amor havia sido abandonado.

É possível conservar a aparência da fé e, ao mesmo tempo, perder a paixão por Deus.

Quando o mundo passa a determinar nossos valores, nossos desejos e nossas prioridades, a vida espiritual começa a perder força. O entretenimento ocupa o lugar da oração; a opinião humana substitui a autoridade da Palavra; a busca por sucesso toma o lugar da busca pela santidade; e os interesses pessoais passam a dominar aquilo que deveria pertencer ao Reino de Deus.

Paulo nos dá uma orientação completamente diferente:

“Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar.”
— Romanos 12:2, NVT

O problema não está simplesmente em viver no mundo. O problema é permitir que o mundo viva dentro de nós.

Quando a igreja deixa de confrontar o pecado, quando o evangelho é suavizado para não incomodar ninguém e quando a santidade passa a ser considerada exagero, alguma coisa muito séria está acontecendo. A luz começa a ser desprezada. A consciência vai se tornando menos sensível. O pecado deixa de produzir tristeza e passa a ser tratado como normal.

E existe ainda outro perigo: podemos continuar fazendo coisas religiosas mesmo depois de perdermos a consciência da presença de Deus.

Por isso, não precisamos apenas de mais atividades. Precisamos de avivamento espiritual. Não precisamos somente de templos cheios; precisamos de corações cheios de Cristo. Não basta aumentar o número de programas; precisamos recuperar a oração, a Palavra, o amor pelos perdidos, a comunhão, a santidade e a dependência do Espírito Santo.

A igreja dos primeiros dias nos mostra o caminho:

“Todos se dedicavam ao ensino dos apóstolos, à comunhão, às refeições em conjunto e à oração.”
— Atos 2:42, NVT

E o resultado foi extraordinário: vidas eram transformadas, a igreja vivia em comunhão e “a cada dia o Senhor lhes acrescentava aqueles que eram salvos” (Atos 2:47, NVT).

AINDA HÁ CAMINHO DE VOLTA

A mensagem de Deus não precisa terminar com condenação. Ela pode terminar com restauração.

Se percebemos que nos afastamos, voltemos. Se esfriamos, busquemos novamente o fogo espiritual. Se a Palavra perdeu espaço em nossa vida, abramos novamente as Escrituras. Se a oração se tornou rara, voltemos ao lugar secreto. Se o mundo ocupou o centro, coloquemos Cristo novamente no centro.

Deus não chama sua igreja simplesmente para saber que está doente. Deus nos chama para voltar ao tratamento com o Médico dos médicos.

Ainda há esperança para o crente e a igreja que se humilha. Ainda há restauração para o coração que se arrepende. Ainda há graça para quem decide abandonar os caminhos que o afastaram do Senhor.

Talvez a pergunta mais importante não seja: “Como está a igreja?”

Talvez a pergunta mais estratégica seja: “Como estou eu diante de Deus?”

Antes de exigirmos restauração dos outros, precisamos permitir que Deus comece a restauração em nós.

É hora de voltar ao primeiro amor. É hora de voltar à Palavra. É hora de voltar à oração. É hora de voltar à santidade. É hora de voltar para Cristo.

E quando a igreja volta para o Senhor, o Senhor renova a igreja.

Ainda não é o fim. Pode ser o começo de uma restauração.