Você acredita que muitas pessoas que nos cobrem de elogios nem sempre querem o que é melhor para nós? William Shakespeare costumava dizer que “palavras são fáceis como o vento”, porém, “amigos fiéis são difíceis de encontrar”. Para ele, a amizade deve ser testada nas dores do luto e no fogo dos prejuízos:
Aquele que é teu amigo de verdade, -- Te ajudará na tua necessidade:
Se estiveres triste, ele chorará; -- Se perderes o sono, ele não conseguirá mais dormir.
Assim, de toda a tristeza do coração -- Ele contigo suporta uma parte.
Estes são sinais certeiros para distinguir -- Um amigo fiel de um inimigo bajulador.
Essa é a percepção certeira que reflete de perto a sabedoria de Provérbios 29.5, que diz: “Quem adula seu próximo está armando uma rede para os pés dele”.
Todo manipulador costuma iniciar sua conversa venenosa com elogios exagerados e um palavrório desfiando expressões de admiração. Desconfie daquele vendedor que, antes de falar “bom dia” puxa uma frase dizendo o quanto você está elegante e jovial. Logo em seguida tenta lhe empurrar um produto com o preço acima da tabela para falsificar um “desconto”.
O fato é que muitos de nós apreciamos os adjetivos, mesmo
quando soam ilegítimos e superlativos. Mesmo aqueles elogios que podem nos
desviar da verdade ou nos cegar para as trapaças.
Talvez sejamos mais sujeitos à manipulação e o risco pode ser ainda maior quando nos deparamos com elogios à nossa identidade cristã, profissional ou familiar. É por isso que os “marketeiros” fabricam candidatos políticos, transformando-os em bajuladores especializados. Pior é saber que alguns de nós ficamos com o peito inchado de orgulho ao ouvir o quanto nós e nosso povo somos extraordinários.
Sobre o perigo dos bajuladores, aqui estão três referências comentadas, com aplicações práticas para a igreja, família e trabalho:
1. Provérbios 29:5 (NVT) --- "Quem bajula os amigos prepara uma armadilha para os pés deles."
Perigo: A bajulação, ou adulação, é comparada
a uma armadilha/emboscada. O bajulador
não tem a intenção de ajudar a pessoa a crescer, mas sim de agradar para obter
alguma vantagem pessoal. Se a pessoa que recebe a bajulação não tiver
discernimento, acabará caindo na "armadilha", que pode ser até mesmo
prejuízos financeiros ou morais.
Como evitar:
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Na igreja: Líderes devem cercar-se
de pessoas que oferecem correção amorosa e conselhos
honestos, e não apenas elogios. A humildade é fundamental para não cair na
armadilha do orgulho.
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Na família: Os pais devem ensinar os
filhos a valorizarem a crítica construtiva e a verdade, em vez de só buscar
aprovação. Melhor é incentivar um ambiente de transparência onde todos estejam seguros
para comentários respeitosos apontando falhas.
·
No trabalho: Mantenha o foco
em opiniões sinceras, não em opiniões pessoais. Valorize pessoas que
expressam opiniões divergentes e que te avisam quando você erra.
2. Salmos 12:3-4 --- "Que o Senhor corte os lábios bajuladores e a língua
arrogante dos que dizem: ‘Venceremos graças à nossa língua; somos donos de
nossos lábios! Quem pode nos dizer o que fazer?’"
Perigo: Este salmo identifica a raiz da
bajulação como o orgulho e a autossuficiência. Os bajuladores confiam em suas
palavras astutas para manipular situações e pessoas, acreditando que estão
acima de qualquer autoridade ou correção. A passagem mostra que Deus desaprova
tal comportamento, indicando que haverá julgamento divino sobre a falsidade.
Como evitar:
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Na igreja: Promova/declare sua
dependência de Deus e de Sua Palavra. Não procure apoio da aprovação humana.
Ensine a congregação a confiar nas promessas de Deus em vez de usar as técnicas
mundanas da manipulação.
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Na família: Viva e ensine a importância
da responsabilidade e da humildade. Não aceite que a bajulação crie uma máscara
para encobrir comportamentos errados.
·
No trabalho: Estabeleça limites
claros e objetivos onde prevaleça a responsabilidade compartilhada. O segredo é
manter a postura profissional, focando nas tarefas e objetivos. Arranque a
fofoca pela raíz.
3. Provérbios 28:23 --- "No fim, as pessoas apreciam a crítica franca, mais do
que a bajulação vazia."
Perigo: Quem compara a bajulação com a
crítica (ou correção) franca, sabe que a bajulação pode ser agradável
momentaneamente, mas não produz frutos duradouros. A crítica franca, embora
possa ser dolorosa inicialmente, leva ao crescimento e, no longo prazo, é mais
valorizada. O perigo da bajulação é que ela impede o desenvolvimento e a
maturidade.
É possível evitar:
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No trabalho: Valorize a honestidade
acima do "agradar". No fim, colegas e superiores (sensatos)
preferirão a pessoa que ajuda a evitar um erro grave do que aquela que apenas
elogia por interesse pessoal.
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Na família: Crie um ambiente onde a
verdade seja dita com gentileza. Corrija com amor, não apenas critique,
mostrando o caminho certo.
Na igreja: Incentive a pregação que "condena o pecado" e fala a verdade com amor, mesmo quando é difícil de ouvir. A verdade dita com amor alcança mais favor do que a bajulação.